20 profissões e carreiras para 2016

20/01/2016 10:00:00 - Surgem oportunidades de concentração de negócios, fusões e aquisições.

Se 2015 foi difícil para o mercado de trabalho brasileiro, 2016 não deverá ser diferente, projetam especialistas em recrutamento. Diante de um cenário econômico estagnado, o lema “fazer mais com menos” continuará a dominar a estratégia de gestão e o foco seguirá ajustado na busca por mais eficiência.

 

Se os setores de óleo e gás, construção civil, automotivo e de bens de capital continuam em ritmo lento, por outro lado surgem oportunidades para concentração de negócios, fusões e aquisições, segundo Marcelo Braga, sócio da Search.

 

Terá oportunidades também para substituição de negócios com tecnologia mais moderna, transição de modelos reais para negócios virtuais, muita conectividade”, diz Braga.

 

Vale lembrar que, um ano depois de escândalos envolvendo grandes empresas e políticos dominarem as manchetes, cargos ligados a controle de processos financeiros e tributários serão prioritários na medida em que a boa governança corporativa e transparência ganham mais destaque.

 

Por isso, muitas funções ligadas a tributos e planejamento financeiro aparecem na lista, elaborada com base nas apostas das 20 principais consultorias de recrutamento no Brasil. Áreas ligadas a tecnologia, marketing digitaldireito empresarial também reúnem as melhores oportunidades no mundo corporativo para este ano.

 

Confira quais são as 20 profissões e carreiras mais promissoras para 2016, segundo os recrutadores:

 

Gestor de compliance/riscos/auditoria

O que faz: faz o diagnóstico, mitiga riscos e garante a transparência dos processos da empresa, de acordo com a lei e políticas corporativas vigentes. “É quem implementa controles e políticas necessários para redução de risco e fraude, sem tornar a empresa excessivamente burocrática”, diz Thiago Pimenta, headhunter da FLOW Executive Finders.

Perfil profissional: as consultorias de recrutamento citam formações mais frequentes em direito, administração, contabilidade, economia e até tecnologia da informação. Conhecimento técnico de SOX é essencial, segundo os recrutadores. Como esta posição está presente em diversos mercados diferentes (financeiro, farmacêutico, telecomunicações e extração de petróleo), o gestor de compliance também precisa conhecer bem o seu segmento de atuação, destaca a equipe da consultoria Heidrick & Struggles.

Por que está em alta: a demanda cresce em função das constantes mudanças no ambiente regulatório, cada vez mais restritivo. Assim, diante de incertezas na política e na economia, escândalos financeiros, fraudes, impossibilidade de perdas e necessidade de ganhos de eficiência, este é um profissional estratégico. Seis consultorias de recrutamento apontam esta carreira como promissora.

 

Advogado especialista em recuperação judicial

O que faz: representa companhias sem condições de honrar seus compromissos financeiros com o objetivo de evitar a sua falência.

Perfil: formação em direito, especialização e/ou mestrado na área cível e de processo civil.

Por que está em alta: em crise, muitas empresas têm entrado com pedido de recuperação judicial para conseguir sanar dívidas, explicam Fabio Salomon e Bianca Azzi, especialistas em recrutamento na área jurídica.

 

Advogado tributário

O que faz: atua na defesa em processos administrativos e judiciais. Formula consultas para esclarecer o cumprimento de obrigações tributárias. Também faz planejamento tributário com a missão de redução fiscal e é parceiro da área empresarial e fiscal em fusões e aquisições de empresas.

Perfil: formação em direito, com especialização e/ou mestrado na área tributária. Quando atua especialmente na área contenciosa, é interessante que possua também formação continuada em processo civil. Para os que atuam na área consultiva, formação contábil e inglês fluente fazem um perfil diferenciado.

Por que está em alta: a matriz tributária no Brasil é muito complexa, o que torna o profissional da área uma peça valiosa para as empresas. Em tempos de crise, ele é ainda mais estratégico na medida em que atua na redução da carga de impostos e faz a ponte com o governo, destaca Rodrigo Miwa, da Hound Consultoria.

 

Advogado sênior na área de fusões e aquisições

O que faz: dentro da área jurídico-consultiva da empresa ou de um escritório, é quem elabora desde os atos societários mais simples aos mais complexos, nas operações de fusões e aquisições.

Perfil: formação jurídica, habilidade técnica e experiência em execução de acordos de fusão e aquisição. Inglês é requisito porque muitas operações envolvem investidores estrangeiros.

Por que está em alta: com a crise e a alta do dólar, empresas desvalorizadas tendem a ser compradas por investidores estrangeiros. De acordo com a consultoria Michael Page, é esperado alto volume de fusões e aquisições para os próximos meses.

 

Analistas/Gerentes de crédito e risco

O que faz: Analisa a saúde financeira de uma empresa para tomar a decisão de conceder ou não crédito direto para financiamento de investimento (no caso de profissionais de bancos) ou para entender se a empresa é boa pagadora (no caso de fornecedores de produtos em mercado B2B).

Perfil: graduação em administração, economia, contabilidade ou até direito. Também está na mira quem tem facilidade para lidar com números e conhecimento da área de contratos. “Deve ser um profissional analítico e com visão de mercado”, diz Paulo Dias, diretor de recrutamento da STATO.

Por que está em alta: para sair de uma situação desfavorável, empresas necessitam de crédito, mas ninguém quer assumir riscos desnecessários. Daí a necessidade de pessoas especializadas neste tipo de análise.

 

Gestor administrativo/financeiro

O que faz: lidera de todo o departamento financeiro (tesouraria, controladoria, planejamento financeiro e contabilidade) e administrativo (compras, TI, RH e jurídico) de empresas de pequeno e médio portes, inclusive investidas de fundos de private equity ou venture capital.

Perfil: formação em ciências contábeis, administração, engenharia ou economia, com proficiência em inglês. Segundo Felipe Brunieri, gerente da divisão de finanças e tributário da Talenses, o perfil mais solicitado é generalista, multitarefa e apto à liderança. “Também são valorizados atributos como alta capacidade de gerenciar projetos e processos de (re)estruturação, além de base técnica sólida em controladoria e fluxo de caixa”, diz. 

Por que está em alta: “empresas de pequeno e médio portes, iinvestidas ou não de fundos, estão crescendo e precisando profissionalizar sua estrutura, criando processos, políticas e relatórios para tomada de decisão e aumento da eficiência operacional”, diz Brunieri.

 

CEO

O que faz: é a figura que dá a direção ao negócio.

Perfil: “grande capacidade de liderança e ampla visão dos processos do negócio e das influências exercidas pelas transformações do mundo”, afirma Luiz Gustavo Mariano, headhunter da FLOW Executive Finders.

Por que está em alta: diante da crise, cada vez mais empresas se voltam para CEOs com alta capacidade de transformação para readequar o negócio à nova realidade de mercado, otimizando o desempenho e incrementando a produtividade. 

 

Profissional de cobrança

O que faz: trabalha na área financeira, assegurando o pagamento das contas a receber.

Perfil: a formação acadêmica importa menos do que o perfil comportamental. “Para conseguir minimizar a inadimplência dos clientes, este profissional precisa ser resiliente, inquisitivo e hábil para se comunicar e negociar”, diz Luis Fernando Martins, diretor da Hays.

Por que estará em alta: É uma função estratégica para a preservação do fluxo de caixa das empresas, já que tem a missão de reduzir a inadimplência dos clientes. 

 

Gerentes de recursos humanos

O que faz: são responsáveis por ações de recrutamento, seleção, treinamento, retenção e inserção de novos funcionários na cultura das empresas.

Perfil: formação acadêmica em psicologia, administração, gestão de recursos humanos, entre outras. Especializações, MBAs, mestrados, além de conhecimento em finanças e comportamento humano, são aspectos fundamentais do perfil descrito por Amanda Calado, head of business da 4hunter Consultoria.

Por que está em alta: “Em anos de crise temos que investir ainda mais no maior bem das empresas, que são as pessoas”, diz Amanda “Por isso, a área de recursos humanos têm que sair de trás da mesa e ajudar na tomada de decisão”. Jacqueline Resch, sócia-diretora da Resch Recursos Humanos, também aposta nesta carreira e cita contratações extras em 2016 por conta das Olimpíadas. “O recrutador terá papel de destaque, assim como os que trabalham com treinamentos, para que os profissionais temporários estejam dentro dos padrões de qualidade das empresas”, diz.

 

Arquiteto de sistemas

O que faz: dá suporte à usabilidade e facilidade de obtenção de informações em websites, intranets e comunidades online. 

Perfil: formação em arquitetura de sistemas, ciências da computação, análise de sistemas, matemática ou engenharia mecatrônica. Conhecimento em SOA e metodologia ITIL são desejáveis de acordo com Marília Filippetti, consultora sênior de Recrutamento em TI da Kelly Brasil. 

Por que está em alta: com a ascensão do comércio eletrônico, há cada vez mais demanda por profissionais capazes de manter estruturas robustas que suportem operações e transfiram dados em tempo real. 

 

Desenvolvedor de aplicativos para smartphones

O que faz: programa, codifica e testa softwares e aplicativos nas plataformas móveis (Android e/ou iOS). Executa a manutenção dos sistemas, fazendo eventuais correções, visando atender às necessidades dos usuários. Também faz trabalhos de montagem, depuração e testes de programas, executando serviços de manutenção nos programas já desenvolvidos, diz Marília Filippetti, consultora da Kelly Brasil.

Perfil: formação em ciências da computação ou tecnologia da Informação é necessária em grande parte das vezes, mas não é regra. Experiência com programação Java, C, C++, entre outras linguagens, é um requisito frequente. Segundo Renata Wutke, consultora sênior da Talenses, profissionais com raciocínio analítico, desenvolvimento criativo, código diferenciado e paixão por tecnologia mobile são os mais valorizados.

Por que está em alta: “o mercado tem buscado alternativas diante da crise e muitas soluções criativas vêm de startups e aplicativos que visam diminuir custos, encurtar distâncias, compartilhar produtos e conhecimentos”, diz Paulo Dias, diretor de recrutamento da STATO.

 

Gerente/coordenador de plataformas mobile e web

O que faz: lidera a equipe de desenvolvedores de aplicativos e ferramentas web, com o objetivo de aproximar usuários e marcas.

Perfil: domínio de Java, Groovy e DevOps para quem é da área de web. Para mobile, são requisitados sobretudo conhecimentos de iOS e Android, segundo a consultoria Michael Page.

Por que está em alta: a migração de pontos de venda e de relacionamento para plataformas on-line e de e-commerce é uma tendência e explica, segundo a equipe da Michael Page, por que este profissional segue com alta demanda no mercado de trabalho.

 

Especialista/gerente em marketing digital

O que faz: gera informação e contra-informação a tempo de gerenciar eventuais crises, além de promover serviços e produtos na internet e nas redes sociais.

Perfil: formação em marketing, publicidade e propaganda ou jornalismo, com especialização na área e profundo conhecimento das ferramentas de marketing digital. Profissionais com visão de negócio serão bastante disputados, de acordo com a Maxim Consultores.

Por que está em alta: as empresas estão cada vez mais preocupadas em monitorar sua imagem nas redes sociais e em medir a temperatura dos acontecimentos em tempo real. Em um momento em que o digital ganha espaço no mercado, profissionais de marketing especializados em processos e ferramentas desse tipo estão em alta, segundo a avaliação da equipe da consultoria Michael Page. De acordo com os especialistas consultados, o segmento cresceu intensamente nos últimos anos e deve continuar essa trajetória em 2016.

 

Head de comércio eletrônico

O que faz: é o responsável pela unidade de negócios que cuida do comércio eletrônico. Gerencia a área de operações, logística, marketing e comercial.

Perfil: formação em administração, marketing, engenharia, entre outros. Experiência prévia na área é essencial, de acordo com a equipe da consultoria People Oriented.

Por que está em alta: Empresas de setores como o varejo têm buscado diversificar seus canais de venda e desenvolver novas linhas de receita. O e-commerce promete continuar crescendo em 2016 com a entrada de novas empresas no mercado e a expansão de outras.

 

Profissional de compras estratégicas

O que faz: é responsável pelas estratégias de negociação de compras.

Perfil: “forte habilidade de negociação para ganhar margem ao negociar menor custo nas compras de produtos ou serviços”, diz Luis Fernando Martins, diretor da Hays.

Por que está em alta: O varejo tem o desafio de preservar ou elevar margens, o que leva à caça por profissionais de nível sênior nesta carreira.

 

Promotor de vendas

O que faz: promove os produtos da marca que representa, seja abordando consumidores em supermercados e lojas, seja organizando os produtos nas gôndolas, ou ainda trabalhando com materiais promocionais no ponto de venda.

Perfil: o trabalho é uma espécie de porta de entrada para o mercado, segundo Jeferson Cheriegate, diretor da iTrade Smollan, e costuma ser desempenhado por jovens entre 18 e 19 anos que estejam procurando um primeiro emprego na área de vendas e marketing. Não requer experiência anterior ou formação específica.

Por que está em alta: em um ano com perspectivas desanimadoras para o varejo e para a indústria, a área de vendas deverá ser reforçada em grande parte das empresas. O promotor de vendas é parte essencial dessa estrutura, pois está na ponta final. “As empresas precisarão vender como nunca, e o promotor é indispensável para garantir esse resultado”, afirma Cheriegate.

 

Gerente de logística

O que faz: lidera o departamento de logística, gerenciando questões relacionadas a fretes e armazenagens. Também faz estudos de terceirização para perceber onde pode haver diminuição de custos com garantia de qualidade em todas as etapas da cadeia logística.

Perfil: experiência estratégica e tática em logística, além de certificações em melhoria contínua, são itens que se destacam, segundo a consultoria Michael Page.

Por que está em alta: em meio à reestruturação de diversas empresas, a área de logística ganha destaque por implicar grandes custos. Daí a necessidade de profissionais qualificados e experientes na área.

 

Engenheiro ambiental

O que faz: é responsável pela avaliação de diversas questões ambientais, tais como tratamento de água e solo, controle de resíduos e gestão do ecossistema. Pode atuar em empresas públicas ou privadas, além de organizações sem fins lucrativos.

Perfil: formação em engenharia ambiental. Segundo Jacqueline Resch, sócia-diretora da Resch Recursos Humanos, é necessário ter uma pós para se especializar em uma área de atuação, como remediação de solos, por exemplo. Também conta pontos ter alta capacidade analítica, além de prudência e atenção aos detalhes. 

Por que está em alta: a preocupação com o meio ambiente tem crescido consistentemente nos últimos anos. Novas leis e fiscalizações exigem que as empresas cuidem de seus passivos ambientais. O caso da Samarco em Mariana (MG) é decisivo nesse contexto. “Após a tragédia causada pelo rompimento das barragens, a tendência é que o engenheiro ambiental seja extremamente solicitado para remediação das áreas afetadas, além de ajudar a evitar novos acontecimentos como esses da parte de outras empresas”, afirma a especialista.

 

Engenheiro de vendas técnicas

O que faz: é responsável pela venda de produtos, tecnologias e serviços técnicos para o mercado industrial.

Perfil: formação em engenharia mecânica, elétrica ou automação. Pós-graduação na área de negócios é um diferencial, segundo a Michael Page. De acordo com a equipe da Robert Half, formação altamente especializada é obrigatória. Inglês é mandatório em empresas com atuação em outros países, segundo Diego Barbosa, consultor sênior de recrutamento da Kelly Brasil. 

Por que está em alta: “com a ausência de crescimento esperado para 2016, este profissional tende a ganhar mais espaço porque seu perfil facilita a interação entre as áreas técnica e comercial”, diz Barbosa. “Sua presença reduz custos em empresas que possuem departamentos distintos para cada uma dessa funções”. Para profissionais fluentes em inglês e/ou espanhol também existe a chance de trabalhar em outros mercados da América do Sul que continuam crescendo, segundo o consultor da Kelly Brasil. 

 

Biomédico

O que faz: estuda, pesquisa, classifica e cataloga micro-organismos com o fim de prevenir as doenças e epidemias causadas por eles. Também investiga soluções e formas de tratamento.

Perfil: formação em ciências biomédicas, ou microbiologia. Após a graduação, afirma Jacqueline Resch, sócia-diretora da Resch Recursos Humanos, o profissional deve se especializar no micro-organismo que irá estudar ou em uma área como imunologia, por exemplo. O biomédico típico é curioso, metódico, atento aos detalhes e empirista. Além disso, costuma ter uma formação acadêmica longa antes de ingressar na área de pesquisa de grandes laboratórios.

Por que estará em alta: ano após ano, tem havido um incremento na incidência e na diversidade de epidemias no país. Em 2015, por exemplo, houve um surto de microcefalia. Diante desse cenário, afirma Jacqueline, o biomédico deverá ser cada vez mais requisitado pela indústria farmacêutica e pela área de saúde pública.

 

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